Proposta de método de votação

De Wiki Partido Pirata

Tabela de conteúdo

[editar] Introdução e justificativa

O coletivo pirata do DF decidiu elaborar uma proposta de um método de votação que traga agilidade as decisões futuras do partido, e que acima de tudo seja um método participativo e o mais descentralizado possível.

Assim após vários estudos e debates chegamos à elaboração de um método muito similar a Contagem de Borda. Fizemos algumas adaptações para que ele possa refletir de forma mais ideal a nossa filosofia de debates e autonomia.

Queremos deixar bem claro que não esperamos que este seja o ÚNICO método de votação. Mas para as situações que vamos listar abaixo ele é o método ideal (pelo menos em nossa opinião). Claro que haverá momentos em que a votação direta será a melhor opção, outras vezes apenas o consenso será aceito e etc. Apresentamos aqui um método útil, simples e pratico que esperamos sinceramente, que ajude o crescimento do nosso partido.

Viva os Piratas!

[editar] Contagem de borda

O método da contagem de borda foi desenvolvido no ano de 1770 pelo matemático francês Jean-chrales Borda. A motivação de seu método é contrapor a votação direta da maioria. O método de Borda permite que os eleitores escolham mais de uma única proposta e faz com que não necessariamente a proposta que ficou mais vezes em primeiro lugar ganhe. Ele evita assim a “ditadura da maioria” a faz com que a proposta vencedora seja a mais agradável a todos os votantes. Note que a vencedora não será a preferida de todos os votantes, mas será a que exprime mais fielmente o desejo de todos os eleitores.

[editar] Funcionamento do método

A contagem de borda consiste de uma lista de propostas onde os eleitores não vão escolher só a que mais lhes interessa. Eles irão ao invés disso, nomear suas prioridades. Essas prioridades serão representadas através de pontos. Quanto mais importante uma proposta for para o votante, mais pontos ela terá. As outras propostas serão pontuadas da mesma forma, a segunda prioridade receberá menos pontos que a primeira, mas receberá mais pontos que a terceira e assim até acabarem as propostas. Para ilustrar isso vamos pensar em uma votação onde temos 5 propostas, são elas: A,B,C,D,E. Nesse caso o eleitor terá que primeiro escolher qual proposta é a melhor e colocá-la em prioridade de 1-5.

Nesse caso:

1 D
2 B
3 C
4 A
5 E

Feito isso cada escolha do eleitor receberá uma pontuação de acordo com sua colocação na lista:

  • Proposta D: 4 pontos
  • Proposta B: 3 pontos
  • Proposta C: 2 pontos
  • Proposta A: 1 ponto
  • Proposta E: 0 ponto

É importante ressaltar que nesse caso a ultima proposta vale 0 ponto, em outro modelo do método de borda a proposta com a menor colocação vale 1 ponto. Para o método desenvolvido para o partido pirata colocamos a proposta final valendo 1 ponto, mas criamos o veto. Iremos explicar mais a frente como essa metodologia funciona.

Outro ponto de fundamental importância é que a razão entre (n) e (n-1) deve ser sempre igual a 1. Isso serve para que todas as propostas estejam a uma mesma “distancia” uma das outras. Como podemos ver na seguinte normalização: (2,1,0) -> Normalizando -> (1,0.5,0) nesse caso temos todas as propostas com uma distancia de 0.5 pontos em relação uma da outra. Agora vejamos um caso onde a razão é diferente de 1 (5,3,0) ->Normalizando -> (1, 0.6, 0) assim temos um intervalo de 0.4 da primeira para a segunda, e um intervalo de 0.6 da segunda para ultima. O que faz com que nossas medidas não fiquem acuradas.

Um bom exemplo da contagem de borda é o seguinte:

Em uma situação com 100 eleitores e 4 candidatos temos o seguinte quadro sobre como os eleitores votaram.

# 51 eleitores 5 eleitores 23 eleitores 21 eleitores
1 A C B D
2 C B C C
3 B D D B
4 D A A A

Em um sistema de votação convencional a ganhadora seria a proposta “A” já que a mesma possui a maioria absoluta dos votos. Nessa situação a maioria “leva tudo” e os 51% ignoram a vontade dos 49%.

Vamos analisar agora essa situação pelo método de Borda com a seguinte pontuação: (3,2,1,0)

  • A: (51 x 3) [pois apareceu 51 vezes em primeiro lugar] + (49 x 0 ) [49 vezes em ultimo) = 153 pontos
  • C: 51 x 2) [ apareceu 51 vezes em segundo] + (5 x3) [Apareceu 5 vezes em primeiro] + ( 23 x 2) [ Apareceu mais 23 vezes em segundo] + (21 x2) [ apareceu mais 21 vezes em segundo] = 205 pontos
  • B: 151 pontos
  • D: 91 pontos

Dessa forma a proposta campeã é a “C” já que ela fez mais pontos. Repare que a proposta “A” foi a preferida pela maioria, mas a proposta “C” foi mais constante entre as principais prioridades. Assim a borda não leva em conta a maioria simples e absoluta, mas sim a preferência mais “agradável” aos eleitores.

[editar] Múltiplos vencedores

A borda permite também que sejam escolhidos mais de um vencedor, já que cria uma hierarquização dos resultados. Então se no caso acima quiséssemos dois vencedores escolheríamos “C” e “A”.

[editar] Métodos desenvolvidos

[editar] Desempate

Em caso de empate o PPBr-DF desenvolveu o seguinte algoritmo para o desempate: A proposta vencedora será a que ficou mais vezes como primeira prioridade. Em caso de empate, vamos ver a que ficou mais vezes na segunda prioridade e assim sucessivamente.

[editar] Veto

Como dito acima o PPBr-DF optou pela contagem com o menor ponto valendo 1. Então dada 5 propostas seus pontos serão (5,4,3,2,1) ou invés de (4,3,2,1,0). O motivo pelo qual escolhemos a existência da pontuação 1 é que não queremos que uma pessoa que se sinta a vontade com todas as propostas tenha que dar 0 a uma proposta que ela gostaria que fosse pontuada. Contudo a situações em que a proposta apresentada vai totalmente contra a idéia do eleitor e ele gostaria de poder dá “0” para ela, mas vai ser obrigado a dar “1”. Por isso criamos o Veto. Se um eleitor não concordar com determinada proposta ele vai dar 1 para ela, mas logo em seguida ele irá vetá-la. O veto significa que o eleitor é contra aquela proposta e que ele não quer que ela seja a vencedora. (pois a casos em que mesmo a proposta recebendo nota 1 por parte dos eleitores ela será a vencedora).

O veto vai funcionar da seguinte forma: O eleitor só poderá vetar a proposta para a qual ele deu prioridade mínima, ou seja, 1 ponto. O eleitor não é obrigado a utilizar o veto na votação. O ponto da proposta vetada será contabilizado no total dos pontos, mas caso a proposta vencedora tenha 20% dos vetos do total de eleitores ela será automaticamente encaminhada a uma área de debates, onde os eleitores poderão modificá-la, excluí-la, ou corroborar a sua vitoria. A explicação sobre áreas de debates e o modelo de capitação das propostas será dado no tópico seguinte.

[editar] Produção de encaminhamentos

Baseado na idéia de participação e debate pleno elaboramos uma maneira de criar os encaminhamentos (propostas) para ser usadas na votação por borda. Devemos ressaltar aqui que o método de “produção” aqui descrito é muito útil para assuntos do qual possuímos certo tempo para formular debates. Para assuntos que necessitam de maior agilidade na decisão podemos usar uma versão “resumida” dessa secção.

[editar] Aplicação no partido

[editar] 1° passo: Assembléia Geral

Nesse ponto serão apresentados todos os argumentos em relação a “situação problema”, prós, contra. Em fim na assembléia geral o debate é livre e a argumentação também. O ideal é fixar uma data de abertura dessa área de debates e uma data na qual esses debates se encerrarão. Vale ressaltar que não existe moderação no debate. Qualquer um pode debater, com os argumentos que quiserem e da forma que quiser.

[editar] 2° passo: Retirar os encaminhamentos

Após encerrar o período de debates os debatedores sintetizam o debate em encaminhamentos (as propostas para a votação) essa parte também é livre o debatedor pode tirar o encaminhamento que ele achar mais pertinente, e pode retirar quantos ele quiser. É importante que esse passo também possua data fixa. Começa na ora que acaba o passo 1 e termina 3 dias depois por exemplo.

[editar] 3° passo: Apresentação dos encaminhamentos

Nesse ponto são apresentados só os encaminhamentos retirados do passo 2. Esse é o momento dos autores retirarem propostas repetidas, proporem mais coisas, ou fundem encaminhamentos. Nesse ponto qualquer um pode propor um novo encaminhamento (seja ele um totalmente novo, ou uma fusão de outros), mas só os autores podem retirar seus encaminhamentos. Propomos também que aja um prazo para isso, por exemplo, 1 dia.

[editar] 4° passo: Votação

A votação se dará em cima das propostas do passo 3 e será da forma já explicada acima.

[editar] 5° passo: Analise dos vetos

Se a proposta vencedora tiver 20% dos vetos do total de leitores, ela não será considerada vencedora e terá que ir para o debate do veto. Nesse ponto os eleitores que vetaram vão dizer por que vetaram e terão a chance de defender o seu veto. A defesa do veto será dada por votação direta com vitória da maioria. Se a maioria votar pela manutenção do veto a proposta será desclassificada e a vencedora será a segunda colocada. Recomendamos que a análise do veto seja feita imediatamente após a votação e que ela dure 1 dia no máximo.

[editar] 6° passo: Divulgação dos resultados

Nesse passo serão divulgado a/as proposta(s) vencedora(s). =)

[editar] Considerações finais

O PPbr-DF espera que essa dissertação possa ajudar o PPbr e os outros coletivos locais com sua organização e desenvolvimento.

O que escrevemos aqui é apenas nossa idéia do que seria uma boa forma para realizar nossas votações. Esperamos que vocês proponham, e critiquem de forma livre, esse método. Vale ressaltar que a contagem de borda só é funcional para situações com 3 ou mais propostas, pois se houver só 2 a pontuação não ira fazer diferença e vai ganhar a mais votada, como ocorreria em uma votação normal onde vale a quantidade de votos.

Um grande abraço a todos!

PPbr-DF

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