Estudo de Harvard: Fraca Proteção ao Copyright Tem Beneficiado a Sociedade.
Estudo conclui que o compartilhamento illegal de arquivos não desencorajou a produção artística, sendo que o número de novos álbuns dobrou desde 2000.
Uma das afirmações preferidas da indústria do entretenimento é que o compartilhamento ilegal de arquivos tem desencorajado pessoas a produzir novos filmes ou discos, por exemplo. A partir daí argumenta que a sociedade como um todo sofre os resultados.
Um novo estudo da Harvard Business School, conduzido por Felix Oberholzer-Gee e Koleman Strumpf, contradiz essa afirmação com uma variedade de provas reunidas.
“O acesso do consumidor a gravações melhorou desde o advento do compartilhamento de arquivos”, ele conclui. “Desde 2000, o número de discos produzidos aumentou mais que o dobro. Do nosso ponto de vista, isso torna difícil argumentar que uma proteção enfraquecida dos direitos de cópia (copyright), como resultado do compartilhamento ilegal, tenha tido um impacto negativo no incentivo do artista para criar.
Sim, o dobro.
“Enquanto a venda de álbuns em geral tem caído desde 2000, o número de álbuns sendo criados estourou”, o estudo também afirma. “Em 2000, 35.516 álbuns foram lançados. Sete anos depois, 79.695 álbuns (incluindo 25.159 digitais) foram publicados (Nielsen SoundScan, 2008). Mesmo que o compartilhamento de arquivos fosse a razão pela queda das vendas, a nova tecnologia não parece ter diminuído a quantidade de música produzida”. O compartilhamento ilegal não parece ter prejudicado os incentivos dos artistas para criar, e são mencionadas duas razões porque isso é o que provavelmente ocorre.A primeira é que, enquanto o preço pela música diminui, ou se torna gratuito para algumas, “a disposição do consumidor a pagar por complementos aumenta”. Pessoas estão mais dispostas a comprar ingressos para concertos ou merchandise de bandas, e o preço de ambos pode então aumentar para compensar pelo declínio da revenda do álbum.
A segunda razão é o fato de que são artistas. Ninguém está sugerindo que artistas não devam ser justamente compensados por seu trabalho, mas os pesquisadores relembram as pessoas de que, diferente de outros tipos de trabalhadores, eles estão mais inclinados a gostar do que fazem. Parece haver uma tendência similar na indústria de filmes.
O número mundial de longas produzidos a cada ano aumentou de 3.807 para 4.989 em 2007 (Screen Digest, 2004 e 2008). Países em que a pirataria de filmes é descontrolada têm tipicamente aumentado a produção. Isso se dá na Coreia do Sul (de 80 para 124), Índia (de 877 para 1164) e China (140 a 402). Nesse período, a produção de longas dos Estados Unidos aumentou de 459 em 2003 para 590 em 2007 (MPAA, 2007).
De fato, embora o mesmo não possa ser dito da indústria musical, a de cinema gozou de um ano de lucros recordes no último ano.
O que os autores do estudo investigam é o verdadeiro impacto que o compartilhamento de arquivos e o enfraquecimento da proteção autoral (proteção de copyright) resultante deste tem tido na disponibilidade de conteúdo criativo e no seu consumo no mercado.
“Nos últimos 200 anos, a maioria dos países fez evoluírem seus regimes de copyright em uma só direção: legisladores repetidamente aumentando as proteções legais de autores e publicadores, aumentando preços para o público geral e desencorajando o consumo.”
O compartilhamento tem enfraquecido as proteções mundo afora, desmantelando os modelos de negócio de praticamente todas as indústrias de conteúdo criativo ao forçar muitas delas a reverem seus preços de modo a sobreviverem e, portanto, incentivando de fato o consumo!
“Enquanto o compartilhamento desmantela modelos de negócio nas indústrias criativas, especialmente na música, em nossa leitura das evidências é difícil sugerir que a nova tecnologia tenha desencorajado a produção artística.”. Ele vai além: “Proteção autoral enfraquecida, pelo visto, tem beneficiado a sociedade.”. O estudo também combate o argumento de que “um download ilegal equivale a uma venda perdida.”. Em uma mostra de mais de 5.600 pessoas que voluntariamente dividiram as estatísticas de audições de seus iPods, encontraram uma média de 64% de músicas neles que nunca foram tocadas, de onde presume-se que foram baixadas gratuitamente. Não acredito que toda essa gente compraria música e depois não ouviria ela. O ponto é que só porque foi baixada ilegalmente não significa necessariamente que ela teria sido comprada de qualquer forma.
Tradução: J.P. "Coiote"
http://www.zeropaid.com/news/86468/harvard-study-weaker-copyright-protection-has-benefited-society/
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